sábado, 3 de abril de 2010


O Cheiro era igual e quando olhei ao meu redor nada tinha mudado.
(Só tu é que não estavas presente.)
Enchi o peito de ar, enquanto a minha mão apertava fortemente a maçaneta da porta.
Rodei e abri a porta bem devagar, tal como fazia quando queria me ir deitar ao teu lado sem que me sentisses a chegar.
Uma lágrima escorreu pelo meu rosto quando me apercebi que passados tantos anos tinha tido coragem para o fazer.
A cama continuava no mesmo sítio, na mesa-de-cabeceira a minha fotografia deu lugar ao teu retrato.
Ver-te naquela fotografia foi tão estranho, não gostavas de tirar fotografias e quando tiravas ficavas sempre com uma expressão séria, mesmo que fosse uma ocasião de alegria.
Por seres assim, a maioria das pessoas tinham medo de ti, diziam que estavas sempre mal disposto e coisas inúteis do género, lembro-me que quando ouvias um comentário desses e se eu estivesse presente, olhavas para mim… encolhias os ombros, e levavas o dedo a testa de uma forma discreta e dizias que a pessoa era maluquinha e começávamos os dois a rir.
Éramos tão cúmplices que os “outros” chegavam a ficar aborrecidos por não terem a tua atenção.
Quando finalmente entrei no teu quarto, sentei-me no meio da cama, peguei na almofada e apertei-a com força, enquanto soluçava e chorava de ódio por teres partido.
Abri o meu esconderijo preferido que agora só é usado pela avó…já não há camisas, casacos nem gravatas, não há ali nada que faça referência a ti, não há nada que mostre que vives-te ali, só as saias da avó, os casacos de peles e os vestidos cheios de cor que trouxeram de Moçambique.
Olhei para tudo aquilo e sorri, lembro-me como se fosse hoje, as vezes que brincávamos as escondidas e eu na inocência dos meus 4 anos achava o teu guarda-vestidos o melhor esconderijo lá de casa, realmente até era se eu não o escolhesse milhares e milhares de vezes sem conta.
Naquele momento o que me apeteceu foi fechar-me lá dentro e ficar a espera que batesses na porta do guarda-vestidos e dissesses que já podia sair dali, que já me tinhas encontrado.
Mas infelizmente nada disso é possível, posso sempre fechar-me ali que tu nunca mais me vais encontrar.

2 comentários:

  1. Um texto muito sentido msm... eu sei o ke e perdermos alguem ke amamos mt...hj em dia estou na msm situaçao ke tu e compreendo perfeitamente akilo ke estas a passar... prima ele esta a olhar por ti de certeza ke esta smp junto a ti... um dia ainda o vais rever... beijos enormes e conta cmg pra tudo sabes ke posso estar um pouco longe mas estou smp presente... adoro-te minha linda

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  2. tcccchhht tens cá uma fé !

    Somos parteneres e acabou-se sr. dona coisinha, né bolinha !

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